já não passa mais por mim
toda essa agonia
mas resta uma pitada
da solidão de garrafas
que há tempos me acompanha
e vira já parte de mim
sem ela não sei quem sou
o mar sem sardas
porque sou eu a causa
e o efeito
mas ela transcreve a vida
se faz necessária em todo
já não passa mais por mim
a falta do aconchego
o punhado de tristeza
a solidão me abraça
de um jeito que só ela sabe
vira complemento
nenhum amor existe
sem solidão
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bom mesmo é andar pelo sol
com os pés e as mãos
na lua dos olhares
do dia claro que teima em renascer
a cada vez que minha boca grita
na vontade de escrever
viver
o sorriso que ilumina no mundo
as partes do equador
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ver passar tantos corpos sem vida
não garante que sintam a mesma dor
a faca fere forte
mas machuca apenas
a música triste
que já não consegue caminhar
em passos lentos
passa o mundo ao meu redor
assisto tudo de cima
não estou no mundo
quem sabe na música
que virou paraplégica
quem sabe no sol que não veio
e na água que choveu tarde
mas ele não sabe
nem nunca vai entender
o que é uma estrela perder a hora
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Folhas dançam na janela um canto de sol
e os versos misturam-se no perfume das flores
e suas diversas cores
Com habilidade incrível os poetas pincelam as letras
recolhem as folhas secas tentando não machucar os ramos
Mas a execução exige extremo cuidado:
os caules podem ter espinhos
e o poeta desvairado distrai-se com um pássaro cantando
e puxa os versos rasgados
manchados
doloridos
É preciso restaurar os versos:
cantar uma nova canção para pintar mais flores
diversas cores
contar amores
e torná-los de novo vivos
dançando alegres ao som da dança das folhas
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Queria começar do zero
Contigo, sempre contigo
sempre, de novo, mais uma vez
Aprender a te amar
Cada vez como a primeira vez
E que sejam infinitas as primeiras vezes
E pra que possam chegar as segundas,
as terceiras e as infinitas vezes
Queria aprender a gostar sempre
de qualquer palavra que eu ouça sair da tua boca
E que eu nunca me canse de te ver sorrir
Seja indescritível cada vez que eu te olhe
Fundo, bem dentro dos olhos
Que tu possas enxergar sempre a minha alma
Aprendendo a te amar mais
Sempre, e de novo, e mais uma vez
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Aos poucos vou conseguindo te entender
e começando a me encontrar em ti
e continuando a te gostar sempre mais
O teu cheiro me dá cor
e no teu abraço eu deixo o meu cheiro
assim ficam os dois
perfume
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Cada vez é sempre mais
Porque bom nunca é suficiente
E eu necessito intensidade
De viver mais sufocada
Me sentir mais enjaulada
Bicho que foge pro mato
E não encontra abrigo
A lei é ir com tudo
Bater de frente
Quebrar a cara
Testar a força
Pra se ver que já não basta
Já que cada vez é sempre mais
Porque bom nunca é suficiente
E eu necessito intensidade
De nunca conseguir parar
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Pausa nos poemas pra divulgar ”Desabafo” e “Últimas Palavras” que foram publicados no site http://veropoema.net e atualmente estão na capa.
Boa volta de carnaval à todos!
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Vivo numa luta diária com mundo ao qual pertenço
Estou sempre atrasada pra começar a viver
E frágil demais pra poder suportar
toda a ansiedade que cabe em sentir
E em se sentir
Andando pro lado oposto
Na contramão
Pareço correr pro caminho contrário
E dar barrigadas onde o mundo termina
Nas barreiras que ele criou em mim
Quando ele me domina, eu delimito seu espaço
E aos poucos assumo o controle
Quando eu o domino, ele me assusta
E mais que depressa me sinto caindo
Sempre pra mais longe
Parecendo cada vez mais esquisita
Acho que sou o oposto do que ele queria de mim
O negativo do que achavam que eu seria
E assim sigo procurando meu pólo positivo
Meu bônus, a avenida certa pra não andar sempre de ré
O lado pra onde se deve ir,
de onde se deve partir,
e aonde se deve chegar
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Amor, não queria te contar, mas resolvi partir.
Bem provável que tu não entendas: e nem te peço pra entender! Mas deu minha hora. Já estava ficando tarde, e eu não gosto de andar no escuro. Quem sabe um dia eu volto, quando voltar o Sol pra minha cidade. Quando voltarem as cores e os perfumes das flores, eu volto. Sim, eu volto junto! Pego carona em um raio de calor que vai trazer de novo alegria pra minha gente.
Quando isso acontecer, daí sim, eu volto. Mas por favor, não me espera. Porque eu posso mudar de opinião. Eu posso voltar e não querer. Tu podes não querer e eu voltar.
Então segue a tua vida, continua tua estrada. Não me espera, por favor. Eu tenho medo de decepcionar, eu tenho medo de não voltar, eu tenho medo de ter esquecido de te amar.
Falando nisso.. como que faz pra te amar? Qual é o teu gosto? Acho que já esqueci. Por isso que deu minha hora, e aliás, já passou de tarde e eu preciso ir.
Mas precisava te escrever essa última recomendação, em nome da nossa cumplicidade:
não me espera, por favor!
mas não me esquece, e quando eu voltar, diz que ficou o tempo todo na praia esperando a onda de calor que ia me trazer de volta.
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