Dezembro 14, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Mas eu gosto de pequenas esperas
Te buscar na lua
Cheiro de manjericão
Olhar plantas
Contar estrelas
E te encontrar em mim
Acho que gosto mesmo é de tudo que é simples
Te ver chegar
Um beijo
Uma saudade
Lua cheia
Vento leve
Olhar pro mar
E lá me encontrar nos teus olhos
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Dezembro 3, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Deixo-me levar pelo passar das nuvens
Horas incertas
Mundos encerrados
mágicos
Contendo lágrimas de um sangue morno
Talvez me lembrem vidas passadas
Feito anjos que dançam
Entre meu coração aflito
Medo, tremer de frio
A agonia taciturna das noites
Deixadas de lado
Escondidas, esquecidas
Levadas ao longe
Efeito “nuvesco”
Dias nublados
Sóis azuis de um mundo negro
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Novembro 26, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Nó angustiante na garganta
amarra minhas mãos
véus de seda perfumados
Não consigo nem escrever
O perfume dos véus de seda é morango
depois de tanta tragédia, sem cabeça pra escrever algo de útil. não que muita coisa que esteja aqui seja..
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Novembro 18, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
E de repente folhas
vento
misturam-se
emaranhado dos teus cabelos
Lágrimas brotam
se já não pudesse mais suportar
A tua ausência me dói
Tua dor sofre junto comigo
mais uma gota da tua falta
teu amor
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Novembro 11, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Chego a me impressionar do tamanho
força do vendaval de palavras
E as penduro no varal
Junto com meias, lençóis e o gosto de poeta
Nada de locais bonitos
Dia bom
Brilho
água nos olhos
Inspiração não é mágica,
momento
sentimento
É vontade e não explicar
Inexplicável
Junto com os grampos verdes de roupa
Lá no varal
Engraçado isso
Vou dormir
fechar os olhos
Mergulhar no café com gosto de manhã
E bom dia para as roupas penduradas
Na janela
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Novembro 10, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Minhas vistas cansadas perdem-se ao longe,
no horizonte em que avisto novamente teus braços…
Sons e silêncios
emaranhado de sensações dentro de mim
Enlaço meus sentidos
perco-me dentro dos espelhos d’água
balançam meu corpo
Leve e facilmente minh’alma sai deste lugar:
encontra sua linda praia
meus sentimentos insanos lembram-te meu amor
brisa que embala teus sonhos,
música que ouves ao longe,
eu,
vendo ondas batendo cadenciadas nas paredes de minhas entranhas
Basta!
Aliviei almas
mentes
corpo
fazendo com que mais um pouco de mim morra em um pequeno cubículo sem possibilidade de respiração
Mil palavras soltas com sentidos juntos confundem meus sentimentos mais claros
vaga mente perde-se em si
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Agosto 20, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
O ser humano é um bicho engraçado.. todos nós temos intrínseco o orgulho, isto é fato. Mas o que me chama atenção é a dificuldade de ser o que se é, e assumir isto. Em uma sociedade que valoriza mais o dinheiro do que a inteligência, o corpo do que a alma, as pessoas vivem em uma luta diária e angustiante para aderir aos padrões de ser linda, magra, só comprar roupas de grife, só ler revistas de fofoca, só ver novela, ser fútil e ter a vaidade acima de tudo. O que não percebem é que nesta caminhada para o horrível, deixam suas personalidades, suas vidas, seus planos para traz. Sim, porque é impossível que uma sociedade inteira tenha os mesmos gostos e planos, e realmente não tem. Mas muitas pessoas se envergonham de dizer que sonham apenas com um bom currículo e satisfação profissional. E onde entram as compras? O carro da moda? Os lugares mais caros? As roupas de grife? Que morram de fome em casa, mas andem sempre parecendo garota propaganda da loja mais cara do estado.
O que mais me admira é que quem faça isso não perceba que perde o respeito por si mesmo. Que tipo de vida existe em anular-se para correr atrás do cara mais lindo, mesmo que quando ele abra a boca mal saiba falar o nome? Fazer de tudo para ser amiga da garota que todos querem, mesmo que ela lhe xingue e humilhe sempre. Ser a sombra das pessoas, mas sempre menos notada do que elas, e ser esquecida assim que passa uns meses. Tem gente que se esconde atrás da beleza, achando que ela nunca vai terminar. Mas termina, e depois disso, coitado de quem não cultivou nada além de belos olhos.
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Julho 2, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
É tempo de não mais rezar e agradecer pelo dia. É tempo de jamais estender a mão a alguém que precise. Tempo em que somente se julga e se condena. É tempo de esquecer dos homens, de machucar a alma e vangloriar a carne. Vamos, todos juntos, vamos dar as mãos para brindar ao nosso mundo de atrocidades, à nossa falta de bom senso e de amor. Vamos todos juntos cantar o hino da aflição, da rejeição, do abandono. Vamos todos ficarmos felizes porque já não temos com quem compartilhar o choro, o riso, ou o amor. Só compartilhamos a comida, a cama e o prazer físico. Nada mais. Não se chora mais, porque nós, homens, nos tornamos tão fortes que nada mais nos atinge, nos abala. Pessoas morrem de fome ao nosso lado e todos achamos que é normal. Vamos brincar ao nosso egoísmo, ao nosso conformismo, à nossa decadência moral e espiritual. Vamos, todos juntos, mostrar ao mundo como nos orgulhamos da nossa moral, que justifica a morte, a fome e a falta de humanidade. Um brinde, todos juntos, vamos! À nossa falta de caráter, e aos nossos bons costumes que justificam matar e morrer sem causa.
“Sopros, sonhos e folhas.”
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Junho 16, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Eis uma dúvida que me atinge: o melhor é nós nos cobrarmos, ou esperar que alguém o faça? Falo isso no sentido de responsabilidades conosco e com os outros. Exemplo: quando temos um trabalho a fazer. Temos várias opções, tais quais: fazer de qualquer jeito porque ninguém exigiu mais, fazer muito bem feito porque nosso próprio nível de exigência pede, fazer bem feito porque somos cobrados por isso.. enfim, podemos esperar que alguém nos cobre, ou fazermos isto sozinhos. Mas o que seria melhor? Se me fizessem essa pergunta, não teria dúvidas em responder: muito melhor fazer as coisas de acordo com meu nível de exigência, e não esperar alguém me “puxar as orelhas” para ter o trabalho feito. Porém, o que vejo é que não é este o pensamento de muitas, talvez da maioria das pessoas. Muitos esperam que alguém esteja sempre pegando no pé, falando, pedindo, exigindo e até brigando para que façam o que lhes foi designado. Nesta situação, ficamos à mercê do grau de exigência e cobrança de quem nos exige, já que podemos fazer algo muito bom, atingindo as expectativas, ou fazer algo mal feito e ficar por isso mesmo. E o mesmo acontece quando assumimos nós mesmos as responsabilidades: tudo depende de nosso senso crítico, de nossa capacidade de avaliar o que fazemos e sabermos distinguir coisas bem feitas ou não. E novamente esbarramos com algo: a nossa capacidade (ou não, e neste caso acho que a falta dela é melhor) de conviver com algo mal feito, sabendo que poderíamos ter feito melhor. O que você escolhe? Ser cobrado ou se cobrar? Superar as expectativas ou ficar sempre na média, igual ou pior aos outros?
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Junho 8, 2008 por Sarah Zewe Uriarte
Estamos acostumados a dormir mal e ter insônias porque o stress é grande, a acordar no meio da noite e não dormir mais porque os alarmes tocam e a comer pão de ontem porque estamos sempre atrasados. Sabemos que nossa rotina é chata, mas continuamos pegando sempre os mesmos caminhos cheios, comendo as mesmas coisas frias e com gosto de plástico, cumprimentando as mesmas caras de sono e mau humor e fazendo tudo aquilo que não nos agrada e poderia ser evitado, mas é simplesmente mais cômodo enxer a boca de um gole de café frio e amargo e continuarmos cumprindo os mesmos rituais. Não fazemos bem para os outros porque não nos interessa, só cumprimos nossa pequena parte do negócio, sem nem olhar para o lado, pois estamos recebendo apenas para fazer aquilo. Ninguém se importa que você esteja triste ou feliz, você continua sendo a mesma parte da rotina que sempre foi. Cada um por si, e que se ferrem os outros. Aguentamos grosserias e arrogâncias porque “é o jeito dela, não sou eu que vou me encomodar para mudá-la”. Se os políticos são corruptos, os preços sobem, as pessoas morrem, o que me importa? Não sou eu que vou mudar. A rua é suja, o cheiro é de podre, as pessoas não nos dão oi e os preços continuam subindo, e sempre vão subir. Ninguém faz nada para combater, porque ninguém quer se encomodar. Todos querem acordar de manhã sabendo que tem comida e roupa lavada, um emprego e um carro. Não importa se não se gosta da comida, a roupa é feia, o emprego é chato ou o carro está com problemas. Parece que todos são superiores demais, e ocupados demais para se preocupar em mudar alguma coisa. Mudar? Para que? Garanto o meu primeiro, e os outros que mudem, se quiserem. Isto tem um nome: conformidade. Isto é ruim? Ah, que pena. Mas é assim. Então deixa como está. Aí está a questão! Não podemos admitir que coisas absurdas aconteçam ao nosso redor, sem fazer nada. Não podemos nos acostumar com gente mal educada e café amargo. Se paga tudo que se deseja, então que o produto seja no mínimo bom. Mas é muito mais cômodo não se encomodar, afinal, não temos tempo, temos que voltar correndo para nossa rotina chata. Todos vão se acomodando, e esperando que alguém faça alguma coisa. Então, que tal cada um ser esse alguém, para que possamos mudar algo no mundo?
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